<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160</id><updated>2011-10-14T20:49:34.635+09:00</updated><title type='text'>Título ainda não definido</title><subtitle type='html'>Todo mundo tem um título original para o seu blog. Eu não tive criatividade suficiente para tanto.  Inventei esse título para ser provisório, mas agora decidi que ele será permanente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-894384261319190418</id><published>2006-08-25T07:07:00.000+09:00</published><updated>2007-02-26T12:41:49.910+09:00</updated><title type='text'>Vale a pena discutir?</title><content type='html'>Aristótles escreveu:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nem todo problema, nem toda tese deve ser examinado, mas somente aqueles que possam intrigar alguém que necessite de argumentos; não punição, nem percepção.  Pois aqueles não sabem se devem honrar os deuses e amar os sues pais, necessitam de punição; os que não sabem se a a neve é branca ou não necessitam de percepção.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Lembrei disso quando falaram no orkut que &lt;q&gt;todos são iguais&lt;/q&gt;.  Se todos são iguais, como saber se eu não sou você e você não é eu?  É uma questão tão óbvia que dispensa argumentação.  Essa gente precisa apenas de percepção e não adianta discutir, porque argumentos não ajudam a quem não consegue enxergar o óbvio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-894384261319190418?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/894384261319190418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=894384261319190418' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/894384261319190418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/894384261319190418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2006/08/vale-pena-discutir.html' title='Vale a pena discutir?'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-113116883912757046</id><published>2005-11-05T14:30:00.000+09:00</published><updated>2005-11-13T12:33:24.883+09:00</updated><title type='text'>Gorjetas</title><content type='html'>&lt;p&gt;Em espanhol, “gorjeta” se diz “propina”. Portanto, coisa boa não deve ser! Sempre detestei dar gorjetas. Eu acho que o custo da gorjeta deveria estar inserido no preço do serviço, mesmo que venha discriminado separadamente na conta. É constrangedor dar dinheiro diretamente para o indivíduo que presta o serviço, afinal essa pessoa está apenas cumprindo o dever relativo à sua posição, ao seu emprego.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Digo isso do ponto de vista de quem recebe o serviço e “paga” a gorjeta, mas me sinto muito à vontade para dizê-lo porque estou também no outro lado, o daquele que recebe.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Já não gostava da idéia de pagar gorjeta antes e, agora que estou em posição de recebê-las, detesto mais ainda. Apesar de nunca ninguém ter me dito isso explicitamente, eu fui educado para não receber dinheiro de estranhos, a menos que tenha feito algo para merecê-lo, ou seja, que tenha sido contratado. Gorjeta se aproxima muito de esmola. Sempre achei errado dar esmolas. Receber esmola é muito pior e pedir esmolas é o fim da picada. É o fundo do poço. É admitir que não se presta para nada, que não há nada que se possa fazer que realmente valha um pagamento.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No Japão não há o costume de dar gorjetas em hotéis e, dizem, oferecer gorjeta pode até ser considerado uma ofensa. No hotel que eu trabalho não existe nenhuma regra relativa a isso. Os funcionários são livres para receber gorjetas se quiseram. Quase todo mundo que eu conheço lá fica feliz e agradecido de receber gorjetas.&lt;/p&gt;Eu não. Eu me sinto, como dizem, ofendido quando me oferecem gorjetas. Recuso enfática e sistematicamente. Sinto-me mais ofendido ainda quando me oferecem trocados. Fico brabo mesmo! Mesmo assim, há vezes que eu acabo recebendo, para evitar de ser demasiado rude, o que não é próprio na minha função. Quero dizer que, se eu não estivesse trabalhando num hotel e não tivesse que tratar os hóspedes com delicadeza, xingá-los-ia.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os hóspedes americanos, por hábito, oferecem geralmente moedinhas contadas, equivalendo a mais ou menos 2 dólares por peça de bagagem carregada, que é o usual nos Estados Unidos. Basta explicar que no Japão não é necessário dar gorjeta e a maioria deles agradece e guarda o dinheiro de volta. Alguns insistem: “Eu sei que não precisa, mas eu quero dar mesmo assim.” A esses, eu agradeço, faço um sorriso e não estendo a mão para pegar o dinheiro. Quando a insistência é muito grande eu acabo recebendo para não bater boca com o hóspede, mas fico extremamente estressado. Se pudesse, largaria o dinheiro ali na porta do quarto. Mas novamente, não posso fazer isso devido à minha posição.&lt;/p&gt;Com hóspedes japoneses é ainda mais difícil, porque eles já sabem de antemão que não se dá gorjetas em hotéis japoneses. Eu percebo que alguns claramente querem dar gorjetas porque eles acham “legau”; sentem-se como se estivessem no exterior. É sempre mais difícil de recusar gorjetas de japoneses do que de estrangeiros, porque uma recusa inicial pode ser interpretada como apenas um gesto de educação. Na etiqueta japonesa, é rude aceitar qualquer coisa que seja na primeira oferta. Aliás, os meus colegas que gostam de receber gorjetas também, todos, recusam na primeira oferta. Por isso, os hóspedes japoneses sempre insistem, dizendo “sukunai kedo” (é pouco, mas [aceite, por favor]) ou “kimochi dake” (é só pelo sentimento [como se o dinheiro fosse uma expressão do sentimento de gratidão que não pudesse ser expressado de outra forma]). Eu agradeço e digo: “[pode ficar com o dinheiro;] recebo só com o sentimento.”&lt;p&gt;(Percebi agora que tive que colocar algumas coisas entre colchetes para conseguir traduzir o japonês. Esse é um dos motivos por que dizem que os japoneses são dúbios e às vezes misteriosos. Muitas coisas ficam nas entrelinhas, mas são perfeitamente entendidos por todos como se fossem ditas explicitamente. Em certas situações, não é educado falar as coisas claramente; espera-se que o interlocutor entenda sem que seja preciso explicar explicitamente.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como eu não estendo a mão para receber gorjetas de japoneses, alguns puxam o meu braço e colocam o dinheiro na minha mão. Outros enfiam o dinheiro no meu bolso. Quando eu percebo que isso vai acontecer, eu dou um passo pra trás, mas nem sempre consigo escapar. Às vezes é  porque nesse instante eu estou de costas para uma parede ou para a porta, de forma que não há para onde fugir, mas há vezes em que eles fazem isso tão rápido (especialmente as senhoras de meia-idade) que não há tempo de reagir.&lt;/p&gt;Uma vez foi o cúmulo. Aquele dia vai ficar na minha memória para sempre! Eu mostrei um quarto para duas senhoras japonesas. Duas senhoras muito comuns, iguais a milhares de outras que param lá. Eu também não ofereci nenhuma explicação ou serviço além do usual. Para dizer a verdade, eu não fiz o meu trabalho como eu acho que deveria, pois era um horário de movimento no saguão do hotel e eu precisava voltar rapidamente para atender os outros hóspedes que estavam chegando.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando cheguei ao saguão do hotel já tinha outro hóspede esperando para que lhe fosse mostrado o quarto. Quando cheguei no elevador junto com esse outro hóspede, senti um cutucão nas minhas costas. Me virei e levei um susto: uma senhora baixinha com um envelope na mão, dizendo: “desculpe, eu esqueci” e estendendo a mão para me entregar o envelope na frente do hóspede que estava comigo e outros, inclusive estrangeiros (era mesmo um horário de muito movimento).&lt;/p&gt;Era uma das senhoras a quem eu tinha acabado mostrar o quarto, mas na hora, eu nem a reconheci. Fiquei muito constrangido e disse: “obrigado, eu fico só com o sentimento”, mas a mulher continuou insistindo. Nisso chegou o elevador. Mostrei o caminho para o hóspede e fugi para dentro do elevador. A porta se fechou e eu me senti seguro, embora não soubesse que cara fazer para o hóspede que estava comigo e tinha visto toda a cena.&lt;p&gt;Para este hóspede expliquei também apenas o básico, não conseguindo esconder o meu constrangimento. Ao fechar a porta do quarto, me senti aliviado. Provavelmente não teria que falar com a aquele mesmo hóspede outra vez, portanto a minha vergonha estaria terminada. Me deu até vontade de sair assobiando no corredor, que estava deserto, de tão aliviado que eu estava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando me virei para me dirigir ao elevador, percebi um vulto atrás de mim. Levei um susto (porque eu estava a ponto de começar a cantar ou assobiar para curtir o meu alívio). Era ela, com o envelope na mão! Ela me seguiu! Não tive opção: peguei o envelope, agradeci e FUGI.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para quem estiver se perguntando de que quantia eu estou falando quando recuso as gorjetas, aí vai: no Japão, a nota de dinheiro mais baixa é de 1.000 ienes, que equivale a cerca de 10 dólares. Os japoneses consideram um tanto rude dar gorjetas em forma de moedas. Por isso, eles raramente oferecem uma gorjeta menor do que 1.000 ienes. Esse valor equivale a 10% do que eu ganho por dia de trabalho, mas eu chego a passar mais de uma semana sem que ninguém me ofereça gorjetas. Depende muito da época do ano. A gorjeta mais alta que eu já recebi foi de 5 mil ienes, ironicamente, de um espanhol. Na mesma semana uma velhinha japonesa me ofereceu uma gorjeta do mesmo valor, mas eu consegui recusar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu preferiria que o hotel estabelecesse uma regra clara com relação a gorjetas, de forma que nós pudéssemos recusar com base num regulamento do hotel. Eu nem posso dizer que é regulamento do hotel porque seria desmentido por outros funcionários do hotel. Mentir é pior do que receber gorjeta. Gorjeta é uma das coisas que mais me estressa no meu trabalho, mas fazer o quê? São os ossos do ofício.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-113116883912757046?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/113116883912757046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=113116883912757046' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/113116883912757046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/113116883912757046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/11/gorjetas.html' title='Gorjetas'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112985610280826926</id><published>2005-10-21T09:53:00.000+09:00</published><updated>2005-10-21T10:09:30.763+09:00</updated><title type='text'>Soho</title><content type='html'>Hoje eu recebi um telefonema de uma “empresa” que (diz que) trabalha com intermediação entre outras empresas e indivíduos na realização de tarefas no computador, tais como entrada de dados, &lt;i&gt;web design&lt;/i&gt; e programação. No caso, a empresa-cliente encomenda um trabalho e essa empresa intermediária passaria o trabalho para a sua rede de contatos, que realizariam a tarefa, dentro do das suas condições de tempo disponível e capacidade, entregando a tarefa pronta para a empresa intermediária que repassaria o trabalho pronto para o cliente. É um estilo de trabalho moderno, que muitos dizem que é a tendência para o futuro, e é conhecido como pela sigla em inglês SOHO (small office/home office).&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Depois da minha experiência frustrada na empresa de programas para celulares que eu trabalhava, eu achei que essa era a melhor solução para mim. Na verdade, o único problema que eu tive lá foi exatamente o estilo de trabalho. Eu trabalhava lá como horista, ou seja, eu recebia por hora de trabalho. Mesmo que o meu trabalho não rendesse, o chefe era obrigado a me pagar pelo meu tempo. Num determinado ponto, ele achou que eu não estava usando o meu tempo efetivamente e a briga estava feita. De fato, só houve desentendimento por causa do sistema de trabalho e não pelo conteúdo nem pela qualidade do serviço.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu trabalhasse por um salário mensal, o problema não teria sido tão grande, pois eu poderia dedicar algumas horas a mais por dia para compensar a minha ineficiência e atender às expectativas do patrão. Mas o ideal mesmo seria que eu recebesse pelo trabalho pronto, ou, como se diz no Brasil, “por empreitada”. Assim eu teria a liberdade de usar o &lt;i&gt;meu&lt;/i&gt; tempo como bem entendesse sem que isso representasse prejuízo para a empresa. Eu ganharia mais por hora naquilo que eu fosse bom e menos nas tarefas em que eu tivesse mais dificuldade. O patrão teria garantia de que o trabalho seria realizado da forma esperada e a um custo fixo, facilitando a sua tarefa de administrador. É essa a filosofia do soho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pelo lado de quem trabalha, também só há vantagens (pelo menos para quem tem competência). Há liberdade para trabalhar nas horas em que se tem mais disposição, no local em que se sinta melhor e na velocidade correspondente à sua capacidade, sem grandes pressões nem estresse. Por exemplo, uma das dificuldades que eu estava tendo no meu emprego de programador era exatamente ter que acordar às 7 da manhã, não tendo conseguir dormir direito durante a noite por causa do calor. Se eu tivesse liberdade no uso do meu tempo, poderia trabalhar durante a noite e dormir de manhã, quando a minha casa ficava fresquinha. Ou, como agora, que já começou o outono e eu estou aqui, com um cobertor enrolado nas pernas, escrevendo com o meu notebook no colo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para a empresa que contrata o serviço, também há a grande vantagem de se ter as tarefas realizadas dentro de um prazo e qualidade determinados e a um custo previamente conhecido. Eu coloco aqui como uma vantagem para a empresa, mas na minha opinião essa também é uma grande vantagem para o trabalhador &lt;i&gt;honesto&lt;/i&gt;.  Dentro desse modelo, o trabalhador tem certeza de que está sendo pago pelo que produziu, ou seja, de que &lt;i&gt;merece&lt;/i&gt; o valor que está recebendo. Há quem pense que a empresa tem a obrigação de pagar, senão pela produção do trabalhador, e sim pelo &lt;i&gt;tempo&lt;/i&gt; deste.  Inclusive, a lei japonesa determina que o trabalhador seja pago &lt;u&gt;pelo seu tempo&lt;/u&gt; na empresa. À primeira vista, parece justo, mas se raciocinarmos mais um pouco, não é certo. A empresa não é um poço sem fundo de dinheiro; o dinheiro tem que sair de algum lugar, e esse lugar é o produto que ela vende. Se o trabalhador não produzir, a empresa não tem de onde tirar o dinheiro para pagá-lo. Questão de lógica!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Trabalhar em casa, no horário que mais lhe convém, sem pressão de chefe, sem ter que enfrentar trânsito, etc.” parece bom demais para ser verdade? Pode parecer, mas não é. Eu faço traduções para uma outra empresa exatamente nesse sistema. Aliás, eu tenho uma tradução para entregar na terça-feira, mas como eu sou livre na administração do meu tempo, eu posso estar aqui tranqüilamente escrevendo no meu blog. Ninguém vai me xingar por causa disso, nem eu vou ficar com a consciência pesada por estar desperdiçando o dinheiro da empresa, pois o meu pagamento é correspondente ao meu serviço e não ao meu tempo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltando ao assunto do começo deste artigo, eu recebi aquele telefonema porque eu me inscrevera num site que oferecia esse tipo de trabalho. No site dizia que era para deixar o endereço e o número de telefone que eles enviariam um material escrito explicando mais detalhes e uns formulários para preencher. Na hora, eu nem me dei por conta que eles poderiam muito bem explicar tudo no site mesmo, com um custo bem menor, sem a necessidade de produzir um material impresso e enviar pelo correio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso foi há uns dois meses atrás. Achei que o material chegaria na semana seguinte. Como não chegou, imaginnei que o meu perfil não interessava à empresa. Mas ontem de tarde, quando eu estava feliz cantando no karaoke, me ligou um tal de senhor Tanaka desse empresa para, segundo ele, “confirmar alguns dados”. Na hora eu não entendi nada, pois eu já tinha esquecido completamente do fato de ter me inscrito no site.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O senhor Tanaka começou me perguntando se eu já tinha trabalhado em casa. Eu contei que eu fazia traduções. Aí ele me perguntou se eu trabalhava com &lt;i&gt;web desing&lt;/i&gt;. Eu disse que não, que eu não tenho intuição para trabalhar com isso e que o meu negócio era programação. Contei que eu tinha trabalhado dois meses numa empresa que fazia programas para celulares, com &lt;a href="http://brew.qualcomm.com/brew/pt/"&gt;brew&lt;/a&gt;.  Ele: “Brew? Que legal!  O meu telefone é da &lt;a href="http://brew.qualcomm.com/brew/pt/"&gt;AU&lt;/a&gt; e tem brew.”  Deu para ver que ele não entendia muito de brew.  Ele até me perguntou se brew era uma linguagem de programação!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A seguir, ele deixou de lado a explicação sobre a programação de celulares e passou a outro tipo de pergunta: “Quanto você pretende faturar por mês?” “Quanto de tempo você tem disponível para trabalhar?” Eu disse que precisava de pelo menos 150 mil ienes por mês e que tinha condições de reduzir as minhas outras atividades de acordo com o volume de trabalho que entrasse. Vejam bem, eu deixei claro que não esperava faturar 150 mil com o serviço que ele fosse me arranjar, mesmo assim, ele já fez uma ressalva, dizendo que “dependendo da época, não tinha muito serviço e o meu rendimento poderia ser menor do que eu esperava”. Eu disse que “tudo bem”, mas eu nem precisaria responder a essa pergunta, já que eu deixei claro que regularia o meu tempo e as minhas outras fontes de renda de acordo com o volume de serviço que ele me apresentasse.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem me dar melhores explicações sobre que tipo de serviço ele iria me apresentar e sem me perguntar direito o que eu era capaz de fazer, ele partiu logo para os finalmente: “Olha, para trabalhar para a nossa empresa, é necessária a emissão de uma senha para acessar o site. Para a emissão da senha, é cobrada uma taxa de 14.500 ienes.” Ah tá hehehe. Pensa que eu nasci ontem?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu disse para o senhor Tanaka:&lt;br /&gt;— Tudo bem, assim que entrar o primeiro serviço, pode descontar os 14.500 ienes do valor que eu iria receber.&lt;br /&gt;— Mas para acessar o site, precisa primeiro emitir a senha.&lt;br /&gt;— Ah, quer dizer que se eu não pagar agora com o dinheiro do meu bolso, eu não posso trabalhar para a sua empresa?&lt;br /&gt;— Pois é... é que tem um custo administrativo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa de ”custo administrativo“ é boa. Eu não agüentei e tive que responder francamente: “Olha, eu estou achando esse negócio meio esquisito.” Um japonês geralmente não responderia assim, mas eu ainda não consigo me controlar nessas horas. Ao ouvir a minha resposta, o senhor Tanaka nem tentou se explicar mais; foi logo me pedindo desculpas por ter usado o meu tempo e se despedindo. Eu também me desculpei pela minha franqueza e por não poder aceitar a proposta dele.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O senhor Tanaka me deu várias pistas do qual realmente era o seu “negócio”. Ele não se interessou muito em saber que tipo de experiência e conhecimento que eu tinha. Quando eu tentei explicar o que eu era capaz de fazer, ele mudou de assunto. Em seguida, veio essa história de senha e custo administrativo. Não faz sentido! As pessoas trabalham para ganhar dinheiro. Paga que recebe o serviço e não o contrário. Trabalhar é de graça. Ninguém precisa pagar para trabalhar!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aqui no Japão tem muito disso, que em bom português se chama de FRAUDE. Mas acho que no caso do senhor Tanaka deve ser pior ainda. Digo isso porque ele me ligou de um telefone fixo e anuncia o seu serviço num site da internet. Ou seja, essa empresa provavelmente está totalmente de acordo com a lei. Eles devem ter um contrato que exime a empresa de qualquer responsabilidade e falando da questão do “dependendo da época, não entra muito serviço”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não estou desesperado, mas acredito que muita gente que precisa de dinheiro, acaba fazendo uma doação de 14.500 ienes para o senhor Tanaka e fica a ver navios. Tem gente ruim no mundo! Eu vi na tevê aqui a história de um curandeiro que prometia a cura do câncer para casos em que o tratamento tradicional não estava tendo efeito. Ele fazia os pacientes deixarem o tratamento médico no hospital em favor do seu tratamento alternativo. Com isso extorquia dinheiro das famílias e o paciente acabava morrendo. Como esse, há inúmeros casos de fraude se aproveitando da inocência de pessoas simples, idosos, doentes. É muita maldade!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112985610280826926?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112985610280826926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112985610280826926' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112985610280826926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112985610280826926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/10/soho.html' title='Soho'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112969616411683559</id><published>2005-10-19T13:28:00.000+09:00</published><updated>2005-10-19T13:29:24.126+09:00</updated><title type='text'>Espírito de samurai</title><content type='html'>Na semana passada eu fui fazer um trabalho de intérprete para um grupo de turistas brasileiros em passagem por Osaka.  Como eles estavam realmente de passagem, entre uma estadia em Tóquio e o embarque no navio para Hong Kong, não lhes foi permitido muito tempo para passear em Osaka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As guias japonesas propuseram um passeio composto de uma visita ao Castelo de Osaka, seguido de um templo budista e um templo xintoísta.  Acho que são três lugares que resumem a cultura tradicional e a história do Japão, porém não condiz com a expectativa de turistas brasileiros.  Muitos estavam cansados e com fome e não viam a hora de embarcar no navio; outros, faziam boas perguntas sobre cultura, religião e até política japonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final no passeio, fomos até o porto Tempozan para embarcar no navio.  No local onde era feito o &lt;i&gt;check in&lt;/i&gt;, tinha umas moças japonesas separando os passageiros entre os &amp;ldquo;comuns&amp;rdquo; e os &amp;ldquo;comuns&amp;rdquo; (os que já haviam feito mais de 6 cruzeiros).  Entre essas moças, tinha uma uns 35 anos ou mais que me chamou atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava extremamente cansado, pois tinha trabalhado à noite no hotel e só deu para dar um cochilinho de manhã antes de ir para Osaka.  Às 6h da tarde, ao final do passeio, eu estava com sono, com sede, com fome e com dor nos pés.  Eu, nesse estado, me compadeci da moça do navio, que estava com os olhos rodando, parecendo mais cansada do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me aproximei dela e perguntei: &amp;ldquo;Você não dormiu? Parece tão cansada.&amp;rdquo;  Ela disse: &amp;ldquo;Dormi sim!  Não estou nem um pouquinho cansada.&amp;rdquo;  Isso ela dizia com a boca, mas a sua cara dizia outra coisa. Aí eu disse: &amp;ldquo;Ah, então você está mentalmente cansada?&amp;rdquo;  Ela disse: &amp;ldquo;Não, eu só estou tentando separar os passageiros para não dar problemas.  Se eu não separar aqui, depois eles têm problemas na hora do check in e o meu chefe fica brabo comigo.  Além disso, eu estou meio confusa porque eu tenho que falar japonês, inglês e cantonês (o dialeto chinês falado em Hong Kong), dependendo do passageiro.&amp;rdquo;  De fato, eu falava japonês com ela, mas ela me respondia numa mistura de japonês com inglês; falava uma frase em japonês e umas duas três em inglês.  Até me deu uma amostra do cantonês dela, mas logo desistiu, porque eu não entendo cantonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei impressionado.  Já tentei aprender chinês, mas a pronúncia não é nada fácil.  Eu sei que cantonês é ainda mais difícil e somando-se a isso o fato de ela ser japonesa (japonês é uma língua com poucos fonemas), é de tirar o chapéu.  Disse isso pra ela.  E disse também que estava impressionado com a serenidade com que ela fazia o seu trabalho e elogiei o seu belo sorriso.  Só que ela não estava sorrindo!  A cara dela estava completamente inexpressiva, sem estar sorrindo, nem braba, nem nada.  Só transmitia uma serenidade, ou, quem sabe, uma &lt;i&gt;frieza&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo, na hora eu interpretei essa expressão como um sorriso e elogiei o sorriso dela e a sua capacidade de ficar ali em pé, falando três línguas diferentes, preocupando-se em não deixar o seu chefe brabo e ao mesmo tempo em atender os passageiros da melhor forma possível.  Eu sei bem o que isso significa, pois é esse o meu trabalho no hotel.  Mais do que carregar malas e responder perguntas dos hóspedes, o meu trabalho é fazê-los sentirem-se bem, pois é para isso que servem os hotéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contei para ela então, que eu trabalhava num hotel, mas que quando estava muito cansado tinha dificuldades para sorrir naturalmente.  Eu disse: &amp;ldquo;Quando eu estou com sono e passei mais de 8 horas em pé, os meus pés começam a doer e a dor dos pés faz com que a minha cabeça doa também.  Nessas horas, o máximo que eu consigo é fingir um sorriso só com a boca.  Não sai um sorriso natural, mesmo que eu queria.&amp;rdquo;  A isso ela respondeu, implacável: &amp;ldquo;Se eu fosse tua chefe, te mandava embora!&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei explicar para ela que não era uma questão de falta de vontade ou esforço, mas era apenas um reflexo natural da dor.  É até possível fazer um sorriso forçado, mas o que aparece naturalmente na cara é o reflexo da dor nos pés.  A partir desse instante, ela parou de misturar as línguas e passou a falar tudo em japonês.  Me chamou de egoísta e egocêntrico.  Disse que precisava ter o &amp;ldquo;espírito de samurai&amp;rdquo; para conseguir suportar a dor, o chefe e ao mesmo tempo fazer um sorriso natural, &amp;ldquo;do fundo do coração&amp;rdquo; (palavras dela).  E esse, o espírito de samurai, é o orgulho do japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá admirado. Fiquei fã daquela mulher!  Como é que ela conseguia fazer um sorriso do fundo do coração numa situação tão adversa?  Lembrei dos meus chefes no hotel, que sempre estão de cara fechada e pensei: &amp;rdquo;como seria bom se ela pudesse dar um treinamento por lá&amp;ldquo;.  Mas, depois, lembrando da cara dela, é que me dei por conta que o que tinha me chamado a atenção nela era exatamente o cansaço que ela aparentava.  Aquela mulher não estava sorrindo.  Ela estava sim, com uma expressão serena, mas os seus olhos deixavam transparecer o cansaço.  Acho que ela me enganou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pensando melhor, eu conheço gente muito mais &lt;i&gt;samurai&lt;/i&gt; do que ela.  Até o início deste ano, alguns colegas meus do hotel faziam um turno que ia das 16h de um dia até as 9h do dia seguinte.  Mesmo o horário deles começando as 16h, eles começavam a trabalhar às 15h30min e não paravam até pelo menos 9h30min do dia seguinte.  Isso quando não tinha muito movimento.  Se fosse necessário, eles ficavam até às 11h e eu já teve casos de ficarem até as 14h (22 horas e 30 minutos de trabalho, sem dormir).  Mesmo nessas condições, eles tinham capacidade de atenciosamente atender os hóspedes e esconder o cansaço de suas faces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher do navio provavelmente passou por algum treinamento no qual aprendeu a se comportar com frieza e manter a calma em qualquer situação.  Algo, sem dúvidas, muito importante para quem trabalha num navio e possivelmente terá que lidar com alguma situação de crise em alto mar.  Os meus colegas, por outro lado, agüentam &lt;i&gt;na raça&lt;/i&gt; (japonesa hehehe).  Um deles, muito controverso, mas que eu admiro muito (embora outros o odeiem) disse uma vez: &amp;ldquo;trabalhar é agüentar&amp;rdquo; (shigoto wa gaman suru koto da).  E isso não é só discurso.  Sempre fiquei impressionado com a capacidade dele de agüentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo tendo essa dificuldade para sorrir &amp;ldquo;do coração&amp;rdquo; sob condições adversas, várias vezes eu já fui elogiado no Japão pelo meu espírito de samurai.  Acontece que eu nunca aprendi a ser fresco.  Acho que tem alguma coisa a ver com eu ser gaúcho.  Essa coisa de &lt;i&gt;agüentar o retranco&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;não tá morto que peleia&lt;/i&gt;. Além disso, os meus pais nunca deixaram eu me queixar por pouca coisa.  Em vez de me consolarem, o meu pai ficava brabo e a minha mãe me xingava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando aqui no meio desses japoneses-samurais, é ainda mais difícil se queixar.  Primeiro porque japonês não ouve queixas e muitos até se irritam ao ouvirem os outros se queixarem.  E também porque é impossível se queixar para alguém que está passando por situação muito pior do que a sua.  Posso não ser samurai, mas eu sou cuiúdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112969616411683559?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112969616411683559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112969616411683559' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112969616411683559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112969616411683559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/10/esprito-de-samurai.html' title='Espírito de samurai'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112893042539887163</id><published>2005-10-10T16:32:00.000+09:00</published><updated>2005-10-10T16:55:31.890+09:00</updated><title type='text'>1984</title><content type='html'>&lt;p&gt;Faz tempo que eu venho ouvindo falar desse livro, escrito por George Orwell em 1949.   Ultimamente,  tenho visto muitas referências a ele no site &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/"&gt;Mídia Sem Máscara&lt;/a&gt;, as quais não condizem com o que eu vinha ouvindo sobre o livro desde os meus tempos de criança.  Resolvi procurar na internet para ver se achava alguma informação e acabei me deparando com um &lt;a href="http://www.online-literature.com/orwell/1984/"&gt;site que publica o livro na íntegra&lt;/a&gt;!  Li todas as sinopses dos capítulos e comecei a ler o livro inteiro, mas ainda não terminei.  Ler a fonte original é a única maneira de tirar conclusões por mim mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para quem não conhece, &lt;i&gt;1984&lt;/i&gt; fala de um futuro onde o mundo estaria dividido em 3 países: Oceania, Eurásia e Lestásia, sendo os três dominados por regimes totalitários e em guerra constante entre si.  A história se passa em Londres, que faz parte de Oceania, país governado por &amp;ldquo;Big Brother&amp;rdquo;.  Em todos os lugares da cidade, encontram-se cartazes do Big Brother, com os dizeres: &amp;rdquo;O Big Brother está vigiando você&amp;ldquo;. O governo de Oceania é dividido em 4 ministérios:&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ministério da Verdade&lt;/b&gt;, onde o protagonista Winston Smith trabalha.  O Ministério da Verdade é responsável basicamente por modificar o passado, reescrevendo notícias notícias de jornais velhos e destruindo os originais, de forma que o que realmente aconteceu passa a ser um mero produto da imaginação de quem se lembra dos fatos e as notícias forjadas passam a ser fatos.  O Ministério da Verdade também é responsável pelo desenvolvimento da Novilíngua, uma modificação do inglês, que é utilizada em documentos oficiais do Partido e planejada para substituir a língua velha, com a tradução de todos os documentos e obras literárias para a nova forma de expressão e subseqüente destruição dos originais.  Em outras palavras, o Ministério da Verdade é responsável pela produção e propagação de &lt;i&gt;mentiras&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ministério do Amor&lt;/b&gt; &amp;mdash; o temível Ministério do Amor, cercado de arames farpados, portas de aço e guardas, onde ninguém entra a não ser a serviço.  O Ministério do Amor é responsável pela &lt;i&gt;reeducação&lt;/i&gt; de presos de consciência, ou seja, é o ministério da &lt;i&gt;tortura&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ministério da Abundância&lt;/b&gt;: responsável pela economia.  É do Ministério no Ministério da Abundância que se decidem as rações de alimentos e estratégias para conster gastos, como o racionamento de energia, por exemplo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ministério da Paz&lt;/b&gt;: responsável pela guerra hehehe.&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Em todos os lugares, encontram-se teletelas, que são tanto receptores como transmissores de sons e imagens.  São como uma espécie de tevê, por onde a propaganda do partido é transmitida o tempo todo.  Ao mesmo tempo, as pessoas são vigiadas através das teletelas.  Não há como saber quando se está sendo vigiado ou não, ou mesmo se você não está sendo vigiado o tempo todo.&lt;/p&gt;&lt;hr&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;Em parte, o sucesso desse livro se deve ao seu teor profético.  No entanto, as interpretações que são dadas a essas profecias é que, no meu ver, não condizem com o que Orwell quis dizer.  Como eu disse acima, o que eu vinha ouvindo falar desse livro é diferente da interpretação que é dada no Mídia Sem Máscara.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Interpretam as teletelas como sendo os nossos aparelhos de tevê.  Faz sentido! O estranho está na interpretação do que as teletelas do nosso tempo dizem.  A interpretação que eu sempre ouvi foi que os telejornais, as novelas e os anúncios comerciais são usados para incitar o consumismo na população, a serviço do capital!  Uma interpretação digna do conceito de &lt;i&gt;duplipensar&lt;/i&gt; descrito no livro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Duplipensar significa conciliar dois pensamentos ou conceitos antagônicos e excludentes, de forma que ambos possam ser verdade ao mesmo tempo.  É como dizer que branco é preto, acreditar nisso e esquecer que um dia branco foi branco e preto foi preto.  É aceitar que dois mais dois são cinco e não quatro.  Aliás, o slogan do Partido no livro era:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Guerra é paz&lt;br /&gt;Liberdade é escravidão&lt;br /&gt;Ignorância é força&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse slogan estava escrito por todos os lugares em Londres e, de tanto ser repetido, torna-se realidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim é a interpretação dada por muitos, que dizem que a sociedade capitalista atual é profetizada no livro.  Ora, Orwell escreveu esse livro exatamente para expressar a sua decepção com o comunismo, especialmente com o stalinismo da União Soviética.  Isso não é segredo para ninguém, mas através do &lt;i&gt;duplipensar&lt;/i&gt; os komunistas retiram qualquer ligação da história do livro com regimes comunistas totalitários e o associam exclusivamente com o &amp;ldquo;imperialismo&amp;rdquo; inglês e a sociedade capitalista atual.  Ou seja, não é necessário criar uma interpretação do livro.  O livro é claro no que aborda, mas para o Partido, não existe realidade a não ser aquela fabricada por ele próprio.  Os fatos e as lembranças concretas não passam de devaneios, o que vale é a história escrita pelo Partido, para o qual o passado é mutável, de acordo com as conveniências do presente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe um &lt;a href="http://www.duplipensar.net/"&gt;site sobre duplipensar&lt;/a&gt;.  No começo achei que era um lugar onde as pessoas denunciavam as incongruências do dia-a-dia, das notícias, do governo, etc.  Mas, lendo os artigos, percebi que se trata exatamente do contrário, ou seja, um local de exercício da arte de duplipensar, onde se criam mentiras e se acredita nelas tão completamente que passam a ser verdade até para quem as criou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112893042539887163?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.online-literature.com/orwell/1984/' title='1984'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112893042539887163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112893042539887163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112893042539887163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112893042539887163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/10/1984_112893042539887163.html' title='1984'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112856779816256059</id><published>2005-10-06T12:02:00.000+09:00</published><updated>2005-10-06T12:15:55.946+09:00</updated><title type='text'>Os Sul-Africanos</title><content type='html'>No mês retrasado um grupo de sul-africanos parou no hotel que eu trabalho durante mais ou menos uma semana.  Eles vieram patrocinados por uma empresa japonesa (que eu não vou revelar o nome), que já tinha trazido um grupo grande de americanos e europeus (principalmente ingleses).  Não dá para tirar uma conclusão sobre uma cultura e um país apenas baseado num grupo de funcionários de uma determinada empresa (embora eles fossem mais de 150 pessoas), mas me chamou muito atenção o quanto eles são diferentes dos europeus, dos americanos e dos latino-americanos.  Não há como descrevê-los de outra forma, senão como "sul-africanos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo de que eu estou falando era formado quase na totalidade por brancos.  Eu lembro de ter visto um casal de negros e uns poucos mulatos, com genética predominantemente branca (provavelmente tinham no máximo um avô negro).  Pelo que eu sei os brancos da África do Sul são de origem holandesa e, de fato, se eles estivessem sem roupa, não falassem e não se mexessem, eu acho que não daria para distingui-los de holandeses.  Eu não entendo nada de holandês (a língua), mas ao ouvir holandês, dá a impressão de que se prestar bem atenção dá para entender uma palavra ou duas dentro de uma frase (isso para quem tem conhecimento de inglês e alemão).  O africâner dos sul-africanos, que, diz-se, é uma língua derivada do holandês, por outro lado, soa completamente indecifrável.  É algo como finlandês, que mesmo ouvindo as palavras, a gente não tem a mínima idéia de como fazer para pronunciá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "moda" sul-africana também me pareceu algo sem paralelo.  Os homens, na maioria, vestiam camisas de gola e calças de tergal ou de linho, de tons claros.  Eu vi pouquíssimos de calças de brim, mas mesmo assim, eram calças bem passadas e com um bom caimento e tons claros.  Em muitos países, inclusive no Brasil, usam-se camisas de gola, mas as dos sul-africanos não sei por que, são diferentes.  Primeiro, as golas são mais largas do que as usadas nos outros países.  Além disso, o tecido não tem uma cor lisa, tipo branco, azul ou amarelo;  todas tinham algum tipo de estampa discreta, tipo linhas onduladas, losangos ou outras formas.  Nada de florzinhas, corações ou xadrez.  São estampas acima de tudo discretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O traje das mulheres, por outro lado, não tem o mesmo aspecto simples do traje dos homens.  Muitas usavam vestidos, outras calças largas ou saias compridas.  Eram roupas bem feitas e originais que, apesar de discretas, tinham um ar de sofisticação. O mesmo eu diria dos cabelos: todas elas tinham algum tipo de penteado definido, feito, pensado.  Acho que um pouco disso se deve ao fato de a maioria ter o cabelo meio crespo ou, pelo menos, ondulado.  Não sei até que ponto os cabelos ondulados não eram naturais (permanente?), mas acredito que a maioria fossem naturais, pois muitos homens também tinham o cabelo meio crespo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as mulheres do grupo usavam maquiagem, um pouco mais pesada do que as brasileiras usam em festas, com a diferença que ela estavam sempre maquiadas.  Apesar de ser um pouco pesada, ainda assim dava para dizer que era discreta, bem equilibrada.  Comparando com outros países, dá para dizer que as americanas praticamente não usam maquiagem e, quando usam, fazem-no de maneira a praticamente não ser percebido; as russas, por outro lado usam cores fortes e passariam perto de serem confundidas com palhaças, não fossem os tons das roupas (também fortes), que combinam com a maquiagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra característica geral é o uso do perfume.  Era algo assim: quando um casal de sul-africanos saía do elevador, ficava aquele perfume por vários minutos infestando o ambiente.  Mas era um perfume bom;  a quantidade é que chamava atenção.  Há alguns americanos que usam perfume naquela quantidade, mas o cheiro é outro: o perfume dos americanos costuma ser mais enjoado.  Os europeus, ao contrário do que se diz, me parecem que são bem mais discretos no uso do perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achava que o vício do café era uma coisa brasileira, principalmente do Sudeste do país, mas os sul-africanos me pareceram um caso pior.  Eles saíam para jantar fora e, quando voltavam queriam tomar um café, de qualquer jeito.  Não lhes importava saber que os restaurantes já tinham fechado; queria tomar um café no saguão do hotel enquanto conversavam antes de dormir.  Várias vezes tivemos que pedir ao serviço de quarto que trouxesse café para os sul-africanos beberem no saguão do hotel.  Para mim, isso parece natural, pois os brasileiros gostariam de fazer a mesma coisa, mas para os japoneses era muito estranho.  Para começar, os japoneses não ficam no saguão do hotel; quando não estão na rua, nem nos restaurantes, eles se recolhem aos seus quartos.  Os japoneses não insistem em serviços que não são normalmente oferecidos (café no saguão do hotel) e não se sentem bem em comer ou beber fora de lugares destinados a isso (bares e restaurantes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei imaginando até que ponto todo esse comportamento dos sul-africanos tem a ver com o Apartheid.  Por exemplo, para se ter sempre roupas bem passadas, é necessário que alguém faça esse serviço.  Os japoneses e americanos usam muito roupas sem passar.  Os brasileiros e sul-africanos, não.  Nesse ponto, me pareceu que o que ocorre é que na África do Sul, assim como no Brasil, eles têm empregada doméstica, que passa a roupa deles.   O mesmo com relação ao cafezinho após o jantar.  No Brasil, um restaurante só fecha quando o último cliente resolveu levantar a bunda da cadeira e se retirar.  No Japão, o restaurante fecha na hora que ele fecha, e os garçons não têm nenhuma vergonha de chegar para os clientes e solicitar que se retirem dentro de 5 minutos porque o restaurante vai fechar.  Acontece que no Japão os garçons não são uma classe diferente dos clientes do restaurante.  Esses mesmos garçons de um determinado restaurante podem ser clientes de um outro restaurante.  No Brasil, garçom é garçom e cliente é cliente.  Os papéis não se invertem.  O mesmo deve ocorrer na África do Sul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112856779816256059?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112856779816256059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112856779816256059' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112856779816256059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112856779816256059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/10/os-sul-africanos.html' title='Os Sul-Africanos'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112821829918253944</id><published>2005-10-02T10:56:00.001+09:00</published><updated>2005-10-02T10:58:19.183+09:00</updated><title type='text'>Adeus verão, bem-vindo outono!</title><content type='html'>Até que em fim, o verão parece que acabou de vez.  Ainda está quente, mas não aquele absurdo que é o verão daqui.  Imaginem, durante o verão, eu só podia ficar em casa na frente do ventilador ligado no máximo;  30 segundos fora do foco do ventilador eram necessários para eu ficar todo molhado de suor.  Isso, sem falar na nojeira do meu sofá que ficava molhado no lugar onde eu sentava.  Agora são 10h e 30min da manhã e eu estou aqui, de camiseta e com o ventilador ligado no mínimo.  De noite, eu chego a ter que fechar a janela para não passar frio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda vai demorar mais um mês e meio para realmente ficar com cara de outono, com todas aquelas folhas vermelhas dos momijis, mas algumas cerejeiras já derrubando algumas folhas amarelas e marrons.  Para hoje está previsto chuva, mas no início do outono daqui, o que há de mais belo é o céu azul da manhã, com aquelas nuvens-ovelhinhas que só aparecem no outono.  O ar fica muito limpo.  De noite, dá para ver com nitidez a lua e as estrelas; de dia, árvores das montanhas do outro lado da cidade ficam tão nítidas que parece que dá para alcançá-las se eu apenas esticar o braço o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ansioso para a chegada daqueles dias em que sopra um ventinho gelado, com o cheiro peculiar do outono.  O outono de Quioto tem o mesmo cheiro do outono de Passo Fundo.  Por isso, nessa época, eu sempre fico meio nostálgico.  A primavera também tem cheiro, mas é diferente.  O inverno não tem cheiro de nada, e também não tem som, por isso eu sinto uma paz nessa época. É muito bom para estudar.  O verão também não tem cheiro, mas eu acho que não é nem pela ausência de cheiros em si, mas pela impossibilidade de sentir qualquer coisa embaixo de um sol ardido, uma temperatura de mais de 40º e uma umidade relativa próxima a 100%.  A umidade é tanta, que tem dias que a cidade fica coberta numa névoa.  Se tirar uma foto, parece o meio do inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse o calor sufocante e as noites mal-dormidas, no verão tem-se que agüentar o barulho das cigarras.  A cigarras do Japão são monstras: chegam a ter 5 cm de comprimento!  E fazem um barulho na mesma proporção.  No início são aquelas que parecem umas motosserras, que "cantam" (?) só de dia.  No meio do verão surgem outros insetos que eu nem sei o que são e passam a noite fazendo barulho.  Mas é um barulho até que discreto, se comparado às desgraçadas das cigarras que também passam a noite "cantando"!  É inaceitável!  As cigarras foram feitas para cantar só de dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Festival de O-bon, que é comemorado no meio de agosto, marca o começo do fim do verão.  Para os japoneses, o o-bon é uma comemoração budista, na qual, diz a lenda, os mortos voltam para visitar os seus parentes.  Por isso, nessa época, as famílias se reúnem.  Quem mora longe, viaja para encontrar os seus pais e, obviamente, os seus antepassados mortos que vieram para visitar.  Para mim, essa época é muito especial, pois marca o fim do meu sofrimento (detesto o verão).  Depois de o-bon, aparecem umas cigarras que cantam diferente.  Não sei explicar em palavras, mas é um canto intermitente diferente das motosseras do início do verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, as cigarras já sumiram e me deixaram em paz, dando lugar para os grilos.  Os grilos japoneses também são bem mais barulhentos que os grilos brasileiros!  Começam a cantar tarde da noite, lá pelas 10h-11h e só param pelas 6h da manhã.  Mas logo virá o frio para espantar esses insetos incovenientes e me deixarem dormir em paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com muitos planos para o outono.  Quero ir visitar templos que eu ainda não conheço, tirar milhares de fotos.  Quero também adiantar a minha tese, fazer o que eu não consegui fazer nos dias sofridos do calor enebriante e dias e noites de irritação com o "canto" desse bichos malditos.  Bem vindo, outono!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112821829918253944?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112821829918253944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112821829918253944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112821829918253944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112821829918253944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/10/adeus-vero-bem-vindo-outono_02.html' title='Adeus verão, bem-vindo outono!'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112679341456068593</id><published>2005-09-25T22:57:00.000+09:00</published><updated>2005-10-02T11:07:49.726+09:00</updated><title type='text'>Santa palmilha</title><content type='html'>Desde que abandonei o meu emprego de programador, tive que aumentar a quantidade de dias que eu trabalho no hotel.  Logo no início percebi que os meus pés voltariam a doer, mesmo com a palmilha nova.  Não perdi tempo: fui lá e comprei uma palmilha mais grossa e mais macia do que a que eu tinha antes.  No começo, fiz algumas bolhas na parte de cima dos dedos, porque o sapato acabou ficando apertado com tanta coisa dentro.  Agora, não.  Agora está uma maravilha.  Não sinto mais dores nos pés.  Agora sinto dores nas pernas, nas costas, na cabeça e em qualquer outro lugar, menos nos pés.   Não que essas dores tenha surgido em função da palmilha, mas a dor na sola do pé foi tão completamente eliminada que agora eu tenho tempo (heheh) para sentir com mais clareza as outras dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a vida é assim mesmo. Nunca nada é perfeito.  Quando conseguimos melhorar uma coisa, passamos a ver outras coisas que precisam ser melhoradas.  Se eu não tiver mais dores nas pernas e nas costas, provavelmente foi ficar consciente de alguma dor do dedão ou na ponta do nariz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112679341456068593?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112679341456068593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112679341456068593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112679341456068593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112679341456068593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/09/santa-palmilha.html' title='Santa palmilha'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112559470849135873</id><published>2005-09-02T01:57:00.000+09:00</published><updated>2005-09-02T02:11:48.500+09:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Agora já vaz mais de 15 dias, mas eu tenho que deixar um fato registrado aqui, senão a minha história não fica completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deixei um dos meus empregos, o de programador.  Por que? Se eu estava gostando tanto?  E estava mesmo!  Tentei explicar essa história aqui duas vezes, colocandotoda a culpa no patrão, mas, como eu não gosto de falar mal das pessoas, acabei deletando tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente estava gostando daquele emprego, mas de repente comecei a ter problemas de relacionamento com o meu chefe.  Quando ele quis jogar na minha cara que &lt;u&gt;ele&lt;/u&gt; é estava me &lt;i&gt;dando&lt;/i&gt; dinheiro para eu trabalhar, eu não agüentei.  Não suporto ente que faz um escarcel por picuinhas.  Ele não estava me dando dinheiro; ele estava me &lt;i&gt;pagando&lt;/i&gt; pelo meu trabalho.  Se não estivesse satisfeito, bastava dizer, mas me pareceu que ele apenas queria ter o prazer de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; não considero o dinheiro tão importante.  Prova disso é que eu deixei o emprego!  Se eu considerasse o dinheiro importante, teria continuado, sob quaisquer circustâncias, desde que o dinheiro estivesse entrando.  Mas, para mim, o dinheiro não é importante; as pessoas é que são.  Esse meu chefe quis colocar a nossa relação somente em termos financeiros e esse é que foi o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí totalmente despreocupado.  Obviamente, a minha renda diminuiu (uns 40%), mas eu posso viver sem esse dinheiro.  E, mesmo que eu venha a precisar, foi muito fácil de eu conseguir aquele emprego e seria muito fácil de eu me arranjar outro quando eu quiser.  Quando eu resolvi procurar um emprego de programador, em junho, eu apenas me registrei num site que anuncia esse tipo de emprego e respondi a alguns anúncios.  Em uma semana, eu já tinha 3 empresas me chamando para entrevista.  Em duas semanas, eu já estava trabalhando no meu novo emprego.  Escolhi aquele empresa porque era extremamente perto da universidade (uns 5 minutos a pé).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim quando e &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; eu achar que preciso, sei que bastará entrar no site novamente e escolher outro lugar.  Mas não vou fazer isso por enquanto.  Estou achando melhor ficar só com o meu emprego do hotel, aumetando um pouco os dias que eu trabalho por mês e diminuir um pouco os gastos. Assim, pelo menos sobra mais tempo para eu dedicar ao meu doutorado, que é a real razão pela qual eu estou aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112559470849135873?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112559470849135873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112559470849135873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112559470849135873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112559470849135873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/09/agora-j-vaz-mais-de-15-dias-mas-eu.html' title=''/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112194524839017365</id><published>2005-07-21T19:49:00.000+09:00</published><updated>2005-07-21T20:27:28.396+09:00</updated><title type='text'>Engrenei nos testes</title><content type='html'>Engrenei nos testes no meu trabalho de programador.  Eu sempre falo "o meu outro trabalho", ou o "trabalho na empresa de software" porque eu não quero escrever muito nome da empresa porque eu sei o que o chefe de tempos em tempos dá uma busca no Google para saber o que estão falando dele, mas fica chato falar assim.  Por isso eu vou escrever aqui uma vez e deixar o link para quem quiser saber.  A empresa se chama &lt;a href="http://www.s-cradle.com/"&gt;Sophia Cradle&lt;/a&gt;.  Não me perguntei o porquê desse nome, porque eu também não faço a mínima idéia, mas com certeza o chefe pensou muito antes de escolher um nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui procurar agora o link para a página na empresa e acabei caindo num &lt;a href="http://sophiacradle.noblog.net/"&gt;blog&lt;/a&gt; que eu nem sabia que existia.  Lá tinha a explicação para o nome: Sophia é "conhecimento" em grego e Cradle é "berço" em inglês:  "berço do conhecimento"!   Tem uma &lt;a href="http://www.s-cradle.com/english/"&gt;versão em inglês&lt;/a&gt; para a página da empresa também, mas a versão em japonês é bem mais completa.  Acho que vão me usar para aumentar o conteúdo em inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como eu ia dizendo, engrenei nos testes lá.  O que eu estou fazendo é compilar uns programas para testar a biblioteca (no sentido de conjunto de códigos pré-compilads - NÃO é um conjunto de livros) deles.   Esta meio complicado para compilar, porque eles mudaram muito a biblioteca e os códigos de teste foram escritos para a versão antiga.  Primeiro, eu tenho que adequar o código para a versão nova, daí eu compilo e aploudeio para o celular.  Aí eu vejo se funciona.  Até agora, de 11 testes que eu fiz, só 2 passaram!  O problema pode estar na biblioteca, mas mais provavelmente está no próprio código de teste.  Não vai ser fácil consertar tudo para fazer funcionar direitinho.  O chefe quer liberar a biblioteca para comercialização no final do mês que vem.  Dentro dessa agenda, esperavam que eu terminasse 58 testes nesta semana.  Eu consegui fazer 11 e amanhã espero conseguir fazer mais uns 3 ou 4.  Isso que eu não estou me detendo muito num único teste:  se não der certo eu passo para o próximo.  Depois eu vou ter que voltar nos que não deram certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre fazer tradução e fazer teste, eu prefiro mil vezes fazer teste.  É um trabalho divertido e até relaxante.  Dá uma satisfação muito grande quando tu coloca o programa no celular e vê ele funcionando direitinho e nenhum erro saindo no log.   Por falar nisso, eu estou usando para fazer os testes um celular que ainda não foi lançado nem no Japão!  É que a gente quer liberar a biblioteca o quanto antes e é claro, precisamos que ela funcione também nos celulares mais.  novos.   Gostei daquele celular.  Ele é o modelo mais novo da Toshiba, bem mais fininho do que o meu (que também é Toshiba), com um processador mais rápido e uma tela um pouco maior.   Quando for liberado para o povo, quero ver se troco o meu por um daqueles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que eu quero ver se dá para fazer é para liberar o meu celular para testes.  Assim, eu posso fazer os meus programas e usar no celular.  Normalmente os celulares vêm trancados, não tem como colocar neles programas feitos em casa.  A única via normal (que não é de teste) é daunloudear direto da empresa de celular, mas custa o dinheiro da conexão +  o custo do programa em si.  Se eu puder colocar os meus programas no meu celular, eu posso fazer o programa que eu quiser e usar de graça.  Bem melhor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112194524839017365?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112194524839017365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112194524839017365' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112194524839017365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112194524839017365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/engrenei-nos-testes.html' title='Engrenei nos testes'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112176950339543245</id><published>2005-07-19T19:32:00.000+09:00</published><updated>2005-07-19T19:38:23.400+09:00</updated><title type='text'>Mais uma noite mal dormida</title><content type='html'>Ontem, de novo, por causa do calor, eu não consegui dormir até as 5h da manhã. Esse não é o primeiro ano que esse tipo de coisa acontece. Mas, nos outros anos, eu podia ficar dormindo até meio-dia. Tipo, deslocava o meu horário para meio-dia às 10 da noite. De manhã é o único horário que dá para habitar no meu apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu resolvi. Não quero nem saber: vou dormir no hotel (tem uns beliches lá para dormir quando a gente trabalha de noite). Lá, pelo menos tem ar condicionado. Ultimamente, 3 horas dormidas lá têm valido mais do que 10 horas dorminas no meu apartamento. Quero ir dormir cedo e acordar cedo. Hoje tem gente nova começando a trabalhar lá no hotel. Amanhã de manhã quero aproveitar para conhecer, por isso vou acordar pelas 4h e 30min. Depois, venho pra universidade e vejo de mexo um pouco no Expat (veja o blog do &lt;a href="http://adoplant.blogspot.com/"&gt;Adoplant&lt;/a&gt; para saber o que é isso.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112176950339543245?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112176950339543245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112176950339543245' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112176950339543245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112176950339543245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/mais-uma-noite-mal-dormida.html' title='Mais uma noite mal dormida'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112170427135022946</id><published>2005-07-19T00:55:00.000+09:00</published><updated>2005-07-19T01:47:01.520+09:00</updated><title type='text'>Sapato Decolores</title><content type='html'>Hoje foi o último de 3 dias seguidos trabalhando no hotel. Durante algum tempo eu estava me recusando a trabalhar mais do que 1 dia por vez, porque os meus pés doíam muito. Ficar 6 horas de pé faz doer o pé de qualquer um, mas ultimamente eu estava sentindo uma dor diferente. Antigamente, me doíam as pernas e, principalmente a batata da perna. Os pés só doíam quando eu fazia bolha. Mas, de uns tempos para cá, tinha começado a me doer a sola do pé e o calcanhar. Eu tinha duas teorias para essa mudança: ou foi porque eu engordei e o peso do meu corpo estava fazendo uma pressão maior sobre os pés do que eu era acostumado, ou foi porque eu fiz 30 anos e fiquei velho. O que mais me apavorava era a segunda alternativa. Mas, eu vejo gente com 60 anos que é capaz de ficar em pé direto sem se queixar. Portanto, não deveria ser a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma terceira alternativa, que eu não considerava importante: o sapato que eu estava usando era muito duro. Mas como resolver isso? Eu não estava disposto a gastar 10 mil ienes num sapato novo. &lt;img class="alignright" src="http://photos22.flickr.com/26858210_5f2e6d0202_o.png" width="200" /&gt;Não lembro se fui eu que pensei sozinho ou se alguém que me sugeriu, mas eu resolvi comprar uma palmilha para amortecer um pouco o impacto do meu pé no solado de couro do sapato.  No começo eu senti pouca diferença, mas depois de um mês usando a palmilha, a minha dor voltou ao normal.  Digo, agora é uma dor normal, que todo mundo sente.  Não é um dor na sola do pé.  Santa palmilha! (O sapato da foto é o que eu estou usando agora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou bem mais confortável, mas ainda não se compara com o sapato Decolores que eu usei durante 1 ano e meio.  Usei aquele sapato até furar.   Eu tinha ganhado aquele sapato do meu pai.  O meu pai dizia que não tinha sapato melhor do que os Decolores: baratos, confortáveis e (na opinião dele) até bonitos.  Pra mim, que só usava tênis, não tinha sapato que fosse bom.  Eu achava que sapato era tudo igual.  Como eu estava sem sapato, o meu pai me deu aquele Decolores que ele não estava usando.  Eu só aceitei porque eu não tinha outro e não queria fazer desfeita.  Mas agora, tudo o que eu quero é poder comprar um sapato Decolores para trabalhar.  Pena que aqui não tem para vender.  Fazer o que?  Vou ver se me arranjo uma palmilha mais macia e agüentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112170427135022946?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112170427135022946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112170427135022946' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112170427135022946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112170427135022946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/sapato-decolores.html' title='Sapato Decolores'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112141212580580415</id><published>2005-07-15T16:16:00.000+09:00</published><updated>2005-07-19T00:54:54.466+09:00</updated><title type='text'>O verão</title><content type='html'>Tem gente que diz que gosta do verão, mas acho que só pode gostar quem tem condições de estar numa piscina ou na praia nessa época. Eu, nem nas situações acima sou muito fã do verão, pois não há como ficar 24 horas na piscina ou na beira do mar. Não gosto do calor em si. Agora, a minha situação aqui é mais complicada. Moro numa cidade rodeada de montanhas (não tem vento), onde a temperatura chega a passar dos 40 graus de dia, num apartamento virado para o lado oeste, onde o sol da tarde bate em cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, a temperatura não varia muito durante as 24 horas do dia. Portanto, se fizer 40 graus de dia, é normal que à noite baixe apenas para uns 35 graus. E, mesmo quando fica mais fresquinho, eu não posso aproveitar, porque o meu apartamento não refresca, pois, mesmo abrindo todas as janelas (tem duas), o vento (que vento?) não passa. Das 4h da tarde às 4h da manhã é muito quente e eu não consigo dormir nesse horário. Por uma lado é bom, pois foi exatamente nesses verões quentes que eu, não conseguindo dormir, estudei e aprendi a ler e escrever japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema tem sido agora que eu comecei com esse novo emprego, que eu tenho que estar lá até as 9h da manhã. Ocorre que eu não consigo dormir antes das 3h da manhã, mas tenho que acordar às 7h no dia seguinte. Nesta semana, dois dias eu não consegui acordar a tempo. Na terça-feira, eu acordei às 9h e 30min. Fui trabalhar às 10h. Na quarta-feira, fui trabalhar às 9h, mas fiquei com muito sono e, à 1h da tarde pedi para ir dar uma cochilada em casa. Vim pra casa, dormi até as 4h da tarde e voltei para trabalhar das 5h às 11h da noite. Na sexta-feira, de novo, eu acordei às 9h e 30min e liguei para o chefe dizendo que mais uma vez eu não tinha conseguido acordar a tempo. Aí o chefe mandou eu aparecer lá só pelas 3h da tarde (para trabalhar novamente até as 11h da noite), mas, já deixou dito que no dia seguinte (hoje, sexta-feira), queria me ver lá de manhã. É na sexta-feira eu trabalho só de manhã porque eu tenho seminário na universidade à tarde e ele sabe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim para casa ontem pelas 11h e 30min da noite pensando que ia consegui dormir. Fiquei rolando na cama e/ou navegando na internet até as 4h da manhã, aí resolvi que eu tinha que dormir. Mesmo assim, só consegui dormir às 5h e 30min. Às 7h eu acordei para ir trabalhar com muito sono (o chefe já tinha reclamado que eu sempre estava com sono -- eu tenho dormido sentado na frente do computador e com as mãos sobre o teclado).  Por isso hoje eu resolvi tomar um energético para ir trabalhar. &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos22.flickr.com/26753596_8f5688537a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos22.flickr.com/26753596_8f5688537a_m.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Escolhi um que eu já conhecia de outros verões: Min-min daha (眠眠打破). Esse nome, para quem conhece os caracteres japoneses diz muita coisa: sono, sono, bate, destrói huhauahauah. Tomei logo dois! Foi tiro e queda. Fui trabalhar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cos olho que era um pila&lt;/span&gt;, fui no seminário e agora estou aqui escrevendo no meu blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui meia hora, eu tenho que estar no meu outro emprego (no hotel), mas já estou com bastante sono e estou temendo que aconteça como me aconteceu outro dia (vide o artigo entitulado &lt;a href="http://adbosco.blogspot.com/2005/01/sono.html"&gt;Sono&lt;/a&gt;, acima -- ou abaixo, já que isso aqui é um blog que se organiza em ordem cronológica). Acho que vou me comprar mais uns 3 min-min daha para me agüentar até a meia-noite e quarenta e cinco. Depois eu vou ter a recompensa de poder dormir três horas no ar condicionado do hotel! Que maravilha! Como a vida seria mais fácil com um ar condicionado em casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, logo o verão passa. Já é metade de julho. Se eu sobreviver até o final de agosto, estarei salvo. É trágico, mas é cômico. Eu sofro, mas me divirto heheheheeh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso puxou um outro assunto filosófico que eu deveria deixar para comentar outro dia. É tipo assim: se a vida fosse fácil, não teria graça. Só me restaria morrer mesmo. A minha vida é interessante porque eu tenho dificuldades para vencer. Sou mais feliz neste apartamento que mais parece um forno, tendo que trabalhar de manhã e estudar de noite, do que seria se morasse numa casa grande, com ar condicionado central, com todo o dinheiro que eu precisasse, sem precisar trabalhar. Não sei se me entendem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112141212580580415?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112141212580580415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112141212580580415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112141212580580415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112141212580580415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/o-vero.html' title='O verão'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112126201320178283</id><published>2005-07-13T22:28:00.000+09:00</published><updated>2005-07-13T22:40:13.206+09:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje eu comecei a fazer os testes que eu falei no artigo anterior.  Aquele povo daquela empresa é louco.  Eles mudaram o nome de um monte de tipos e funções de uma versão da biblioteca para a outra.  Agora, o código antigo não compila com a biblioteca nova e o chefe quer que libere a versão nova até o final do mês que vem! Meio difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, quando mudam o nome das funções e tipos de uma biblioteca, inclui-se também uma lista de #defines para que o código antigo continue compilando.  Quando a mudança é muito radical, conserva-se a função ou estrutura de dados antiga e cria-se uma nova com um nome diferente. É o que a API do Windows faz.  Por exemplo, no Windows 3.1 para criar uma janela utilizava-se CreateWindows.  Nas versões mais novas eles acresentaram uma função chamada CreateWindowEx, mas tiveram o cuidado de manter a antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo lá deve ter tido algum motivo para não fazer isso, porque é impossível que eles não tenham consciência desse costume.  Desconfio seriamente que o motivo tenha sido tempo: gastaria muito tempo e esforço para criar uma versão nova compatível com a antiga.  Além disso, o código ficaria mais difícil de manter do que ele é agora.  Ainda não entendi qual é a deles e, também não tenho muita oportunidade de perguntar, porque quando quem sabe chega, já está na hora de eu ir embora.  Hoje fiz uma hora e meia extra para ouvir explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tradução dos contratos continua.  Hoje quase terminei mais um.  Mas não é fácil!  Estava com vontade de comprar um dicionário de termos jurídicos para me ajudar, mas não encontrei na livrariazinha da universidade.  Também não precisa, mas eu quero.  Gosto dum dicionário!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112126201320178283?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112126201320178283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112126201320178283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112126201320178283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112126201320178283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/hoje-eu-comecei-fazer-os-testes-que-eu.html' title=''/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112117901999629008</id><published>2005-07-12T23:24:00.000+09:00</published><updated>2005-07-12T23:37:00.003+09:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Como dito abaixo, dormi de tarde e fui trabalhar à noite.  Um chinês que trabalha lá também me ajudou a instalar as ferramentas necessárias para fazer os testes e eu já comecei a, pelo menos experimentá-las.  Eu só vou começar mesmo a trabalhar com os testes a partir do dia 15, quando chegam os novos modelos de celulares com a nova versão do BREW (uma espécie de sistema operacional para celulares com chips da Qualcomm).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho com testes é bem diferente do trabalho com tradução.  Isso é óbvio, mas não é à parte óbvia que eu me refiro.  O trabalho com tradução exige muito mais raciocínio; é extremamente cansativo.  O trabalho com teste é bem mais divertido e exige um movimento maior do corpo para abrir um teste, compilar, ver o resultado, corrigir erros ou relatar bugs...  Ao fazer tradução, eu quase não me mexo. Fico um tempão pensando qual a melhor expressão para usar e reformulando frases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é de japonês para inglês, exige uma concentração maior.  Não por que inglês não é a minha língua nativa, mas porque a ordem das palavras em japonês é diferente da ordem das palavras em inglês.  Para quem pensa que em inglês tudo é ao contrário, fique sabendo que em japonês é mais ao contrário ainda!  Precisa ler a frase inteira até o fim, pegar o verbo (que geralmente está entre as últimas palavras da frase) e colocar para o começo, depois acrescentar os objetos na mesma ordem que estão em japonês.  Uma coisa que dificulta bastante é que em japonês é possível colocar adjuntos adnominais e adverbiais antes e depois dos termos modificados.  Veja bem, não é antes OU depois; é antes E depois.  Não tem como fazer isso em inglês, nem em português, por isso fica difícil de reorganizar os adjuntos numa ordem que tenha o mesmo sentido que em japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acho que eu vou conseguir dormir mais traqüilo, porque eu estou mais satisfeito com o que eu vou ter que fazer amanhã.  Falando nisso, amanhã eu vou ter que acordar muito cedo, para terminar uma tradução (de japonês para português) que eu estou fazendo para a outra empresa que eu trabalho.  Tenho que enviar amanhã antes das 9h da manhã.  Mas, acima disso, às 9h da manhã, eu tenho que estar na empresa de software para cumprir o meu horário.  Quero ver se pelo menos, amanhã de noite me sobra um tempo para eu trabalhar também na minha pesquisa, porque hoje e anteontem eu não tive tempo.  A última vez que eu toquei nela foi quita-feira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112117901999629008?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112117901999629008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112117901999629008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112117901999629008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112117901999629008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/como-dito-abaixo-dormi-de-tarde-e-fui.html' title=''/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112114505406336635</id><published>2005-07-12T13:44:00.000+09:00</published><updated>2005-07-12T23:21:37.146+09:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ontem eu quase não consegui dormi. Um motivo foi o calor (e a umidade), mas tinha uma outra coisa que me incomodando. É que hoje era o meu dia de ir trabalhar na empresa de software que eu comecei outro dia. Não há como não comparar com o meu outro emprego, já que eu tenho dois. O emprego do hotel pode ser cansativo: os meus pés doem, pois tenho que ficar muitas horas de pé, além de não poder dormir mais do que 3 horas naquele dia. Por outro lado, é um trabalho muito divertido, onde eu estou rodeado de gente que eu gosto e onde eu vejo muita gente diferente e muitas situações interessantes. Na empresa de software, eu fico o dia inteiro sentado na frente do computador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar na frente do computador não é nenhum sacrifício, já que eu gosto disso. O problema é o calor naquela sala que eles não ligam o ar condicionado (acho que é para economizar). Além disso, eu precisaria fazer umas pausas estratégicas e sair para fora do prédio por uns 10 minutos para "descansar". É que é proibido fumar no prédio inteiro! Mas eu não posso fazer isso por dois motivos: um é que eu não posso parar de "trabalhar". O outro, pior ainda, é que eu não tenho a chave da porta do prédio, portanto, se eu sair, tenho que buzinar na campainha quando voltar. Eu já pedi a chave e eles já disseram que não vão me dar, porque custa dinheiro para registrar um novo usuário de chave da porta do prédio. É um prédio todo cheio de frescuras em questão de segurança; algo muito raro no Japão. Aqui eu posso deixar a minha porta deschaveada com o meu computador em cima da mesa, sair uns 3 dias e voltar para casa tranqüilo, sabendo que o meu computador ainda vai estar em cima da mesa. Não entendo o porquê de tanta segurança naquele prédio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que estava me dando nos nervos é que eu fui contratado como programador, mas praticamente eu não tenho nem tempo de experimentar os produtos da empresa, quem dirá, realmente escrever alguma extensão para eles. Me colocaram a fazer tradução da documentação de um dos produtos. Se fosse só a documentação, ainda estava tudo bem, mas eu tenho recebido coisas meio nada a ver para traduzir, tipo artigos que o chefe escreve para publicar em revistas. Como o trabalho é de tradução, também não consigo deixar de comparar com o meu outro emprego (de tradução). No meu emprego de tradutor, onde eu faço traduções de tudo que é tipo de coisa, do japonês para o português, eu ganho uns 3 mil por página traduzida. Mas eu não entendo bem os cáculos deles. Por exemplo, eu tenho um trabalho de 3 páginas para traduzir até amanhã e vou ganhar 17 mil por ele. Ganho bem no meu trabalho de tradutor. Na empresa de software, eu traduzo mais de 5 páginas por dia, pelas quais eu recebo apenas 8 mil ienes (mil por hora). Me sinto mal pago, explorado, pois como se trata de um texto extremamente técnico, onde não basta apenas o conhecimento de línguas, mas um entendimento completo do conteúdo é fundamental, além de eu estar fazendo a traduação direto dentro de um arquivo XML (docbook -- precisa conhecer docbook para poder traduzir sem causar estragos no arquivo). Por um trabalho desses, eu ganharia uns 5 mil por página na empresa de tradução, ou seja, 5x8=40 mil por dia. Mas eu ganho só 8 mil. O caso é que eu ganho 8 mil, mas é um emprego que eu tenho. Vou traduzir mais de 1.000 páginas ao todo. Se tivesse um trabalho assim na empresa de tradução, seria bom. Mas não tem, portanto eu tenho que me contentar com o que eu tenho na mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como eu ia dizendo, eu estava pensando em desistir pelos motivos acima. Hoje de manhã recebi a notícia de que a documentação original em japonês ia demoarar para ficar pronta e eles precisavam de mim para ajudar numa outra coisa. A partir de amanhã, eu vou trabalhar com testes do produto para o qual eu vou traduzir a documentação. Fiquei satisfeito. Na verdade eu estava inseguro, pensando que eles estavam achando que eu não teria a capacidade de trabalhar com código e por isso estavam me dando serviço de tradução. Na verdade, não sou só eu que estou ocupado com documentação. Há outros lá que atualmente estão fazendo só isso. Eu sei que eu não estou no nível dos outros, mas acho que eu estou num bom nível para começar. Eu sei C++, que era o requisito para conseguir o emprego, mas não tenho obrigação nenhuma de saber de cara tudo sobre o produto deles que eu ainda nem tive a oportunidade de ver! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, agora vou poder colocar a mão na massa. Vai ser bom. Mas, a partir do mês que vem, me colocam na tradução de novo. Que saco! Eu faço traduções; eu sei fazer traduções; eu sou cuidadoso na escolha das palavras para que reflitam o sentido do original. Tenho confiança no meu taco. Mas odeio fazer traduções.Nem sei por quê. Só sei que eu não gosto. Faço só pelo dinheiro mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112114505406336635?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112114505406336635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112114505406336635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112114505406336635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112114505406336635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/ontem-eu-quase-no-consegui-dormi.html' title=''/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112058246523912795</id><published>2005-07-06T01:21:00.000+09:00</published><updated>2005-07-06T01:54:25.246+09:00</updated><title type='text'>Novo emprego</title><content type='html'>Desde a metade do mês passado eu estou trabalhando num novo emprego.  Até então, eu estava trabalhando só no hotel e fazendo traduções.  Eu gosto do trabalho do hotel, mas como é noturno, eu não estava conseguindo estudar.   Para ganhar o tanto que eu preciso, tenho que trabalhar mais de 12 dias por mês lá.  A questão é "como distribuir esses 12 dias no mês de forma que eu ainda consiga ter disposição para estudar?"  Tentei durante uns meses trabalhar só sexta, sábado e domiingo.  Mas acontecia que o meu sono ficava desregulado na segunda-feira e eu acabava trocando a noite pelo dia durante a semana.  Tudo bem, se eu conseguisse trabalhar na minha pesquisa durante a noite.  Mas não funcinou.  Nos dois últimos meses, eu tentei outro esquema: segunda, quarta e sábado.  Assim, eu nunca teria dois dias seguidos, de forma que o meu sono não ficaria desregulado e eu poderia ir todos os dias na universidade.  Ocorre que eu acabava tendo dias com muito sono (após a noite de trabalho) e dias pela metade (o dia que eu trabalhava).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando no que o meu orientador me disse, que eu precisava ajustar um ritmo para a minha a vida, concluí que o melhor seria se eu pudesse trabalhar de dia e estudar de noite (tipo, a partir das 6 da tarde).  Tem muita gente no mundo que trabalha de dia e estuda de noite.  É uma coisa totalmente possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia trabalhar de dia no hotel, mas teria que aumentar o número de dias de trabalho, porque o salário por hora diurna é mais baixo que o salário por hora noturna.  Mas tinha um outro problema: o trabalho no hotel cansa muito o corpo (e é mais por isso que eu ficava tão sonolento no dia seguinte ao trabalho).   Se eu trabalhasse de dia no hotel, não teria forças para estudar de noite.  Por isso resolvi procurar um trabalho que fosse de dia e que eu pudesse fazer sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui na internet para ver o que é que tinha.  Estava pensando em fazer qualquer trabalho de escritório, qualquer coisa mesmo.  Mesmo que ganhasse menos do que no hotel, pelo menos eu poderia estudar de noite.  Fiquei surpreso com o número de anúncios de empregos que eu achei.  No meio desses, tinha várias vagas para programador.  Pensei: é tudo o que eu precisava.  Num emprego de programador, eu poderia aproveitar o que eu aprendi até agora na universidade para ganhar algum dinheiro e, ao mesmo tempo, aproveitar o que eu aprendesse no emprego na minha pesquisa.  É juntar a fome com a vontade de comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi a 4 anúncios.  Desses 3 me responderam.  O primeiro que me respondeu é esse que eu estou trabalhando agora.  Marquei a entrevista para sexta-feira e, o segundo que me respondeu, marquei para sábado.  Fui na entrevista do primeiro, e acabei começando a trabalhar no mesmo dia, nem fui na entrevista do segundo.  É que esse primeiro, tinha uma vantagem muito grande que dificilmente os outros conseguiriam ultrapassar:  a emrpesa fica a 5 minutos de bicicleta da minha casa, praticamente do lado da universidade!  Tinha um outro que eu me interessei, numa empresa famosa chamada Dwango (também perto da universidade), só que a seleção foi mais difícile e, até um pouco injusta comigo.  Tinha que fazer um teste pela internet.  Eu estava muito ocupado naquela semana e acabei fazendo o teste às 4h da manhã, totalmente sem condições.  Era um teste tipo de QI, mas as perguntas mudavam muito rápido.  Tinha um outro teste complementar, onde eu tinha que reagir a uma frase (sobre o meu comportamento --- um teste psicológico) em 3 segundos.  O problema nesse teste é que eu não conseguia ler as frases (em japonês) em 3 segundos.  Eu sei ler japonês, mas eu demoro mais do que eles, tanto que eu tenho dificuldade para cantar músicas rápidas no karaoke.  Bom, não precisa dizer que eu não passei nesse teste dessa terceira empresa.  Mas, ontem eles me mandaram um convite para nova seleção!   Mas, agora eu não posso mais, já estou na primeira empresa que me respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achei que ia ser muito bom trabalhar sentado no computador, mas agora vejo como o emprego do hotel era bom. Em grande parte, eu acho esse emprego novo chato porque eu não estou trabalhando com programação.  Para conseguir o emprego, eu me dispus a fazer uma traduação do manual de um dos produtos da empresa.  Essa traduação ainda vai demorar uns meses para ficar pronta.   Eu já não gostava de fazer traduções antes, quando eu fazia esporadicamente.  Agora, todo dia, o dia todo, é um saco.  Mas, nem penso em parar de trabalhar lá.  Eles trabalham com programas para celular.  Eu estou usando parte do meu tempo lá para estudar isso e, mais adiante, quero fazer um módulo para visualização de gráficos de dados para acrescentar na biblioteca deles.   Esses 15 dias que eu estou trabalhando lá, já me ajudaram na minha pesquisa.  Estando lá, participando das reuniões, vendo como funciona uma empresa de software e como os programas são desenvolvidos, eu consegui reformular o meu programa que eu vou usar na minha pesquisa.  Antes eu não sabia o que fazer a seguir, qual o próximo passo, o que fazer quando eu empaco em alguma coisa que eu não sei fazer.  Agora eu vejo que dá para fazer muito mais do que eu planejava no começo e, com muito menos esforço e tempo do que eu vinha gastando.  (A explicação desse fenômeno fica para outro dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o emprego do hotel?  Pensa que eu conseguiria para?  Nunca tive a pretenção de parar, mesmo porque lá estão os meus melhores amigos japoneses.  Eu pensava em diminuir para no máximo 2 vezes por semana.  Não me deixaram.  Falta gente lá também.  Este mês, vou trabalhar 15 dias no hotel (todas as sextas, sábados e domingos), e na terça, quarta, quinta e sexta, vou trabalhar na empresa de software.  Na minha, pesquisa, vou trabalhar todos os dias de noite, das 6 às 11.    Sobra pouco tempo para dormir, mas já senti que vou ficar muito mais eficiente nos meus estudos.  Acho que vou progredir muito mais do que se tivesse bolsa, com todos os dias livres para estudar.  Quando a gente tem muito tempo livre, acaba não conseguindo fazer nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112058246523912795?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112058246523912795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112058246523912795' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112058246523912795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112058246523912795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/07/novo-emprego.html' title='Novo emprego'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-112010188943100321</id><published>2005-06-30T12:21:00.000+09:00</published><updated>2005-07-15T16:10:33.716+09:00</updated><title type='text'>Meu blog, há quanto tempo!</title><content type='html'>Estava aqui abandonado. O problema é que eu penso demais para escrever e acabo não tendo tempo de escrever o que eu quero.  Que nem o blog do Japão... cada artigo lá é quilométrico.  Eu já tenho um monte de outras coisas para fazer.  Ainda nem comecei a escrever a minha tese.  Não posso ficar dando tanta atenção ao blog.  Mas acho importante escrever, nem que seja um pouquinho só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar daqui pra diante, gastar pelo menos uma meia hora para escrever nos blogs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-112010188943100321?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/112010188943100321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=112010188943100321' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112010188943100321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/112010188943100321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/06/meu-blog-h-quanto-tempo.html' title='Meu blog, há quanto tempo!'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110810160411206965</id><published>2005-02-11T14:44:00.000+09:00</published><updated>2005-02-11T15:04:46.466+09:00</updated><title type='text'>Estou sem bicicleta</title><content type='html'>&lt;p&gt;Dia 31 de janeiro, eu fui numa nomikai (reunião para beber) e deixei a minha bicicleta na rua Kiyamachi, na frente do restaurante onde eu fui. Eu, como todo mundo, deixei a minha bicicleta num lugar onde é proibido estacionar (bicicletas ou qualquer outra coisa). O meu erro foi deixar a bicleta lá e voltar de táxi. Eu estava cansado (hehe), estava frio e eu resolvi correr o risco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A prefeitura passa recolhendo bicletas dos locais onde é proibido estacionar. Mas eu sei que eles não passam todos os dias em todos os lugares, por isso esperava ter a sorte de não ser o dia de recolhimento naquele local. Mesmo que fosse no dia seguinte, se eu fosse cedo, teria grandes chances de chegar lá antes do caminhão da prefeitura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não fui tão feliz. Quando cheguei lá não acreditei. Procurei a minha bicicleta por todas as redondezas. Alguém poderia ter removido ela por outro motivo qualquer. Olhei dentro do rio também, porque tem uma piazada que às vezes empurras as bicicletas para dentro do rio. Até tinha uma bicicleta lá, mas não era a minha. Se eu tivesse sido mais experto, poderia eu mesmo ter colocado a bicicleta dentro do rio...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bom, fazer o que. Paci&amp;ecric;ncia. Agora fiquei à pé. Voltei muito triste da Kiyamachi. Demora quase uma hora para vir de lá até em casa à pé. Pensei em comprar uma bicicleta nova em seguida, mas depois de algumas caminhadas que eu tive que fazer, resolvi deixar assim por enquanto. É impressionante como é diferente caminhar e andar de bicicleta. Eu julgava que estava fazendo exercício por me deslocar sempre de bicicleta. Nem tanto! Depois que eu comecei a caminhar, percebi os benefícios que o exercício traz para a saúde . Me sinto bem melhor agora do que quando eu andava de bicicleta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só para constar: eu tenho o direito de ir no depósito da prefeitura e requisitar a minha bicicleta. Para isso eu tenho que ir até aquele lugar que fica a uns 20 km da minha casa. Chegando lá, eu teria que procurar a minha bicicleta no meio do monte que eles recolhem por dia (eu não consigo achar a minha bicicleta nem quando eu deixo ela na frente da universidade!). Além disso, eu teria que pagar uma multa de 2.500 ienes.&lt;br /&gt;A outra opção é comprar outra bicicleta. A bicleta que eu perdi me custou 5.000 ienes e a loja fica a 10 min a pé da universidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por enquanto eu vou ficar sem bicleta para me reacostumar a caminhar. Mais tarde, acho que vou comprar uma bicicleta nova para quando eu precisar ir em lugares muito distantes.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110810160411206965?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110810160411206965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110810160411206965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110810160411206965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110810160411206965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/02/estou-sem-bicicleta.html' title='Estou sem bicicleta'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110743752785068494</id><published>2005-02-03T22:13:00.000+09:00</published><updated>2005-02-04T01:14:48.516+09:00</updated><title type='text'>Lost in Translation e racismo</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img src="http://photos3.flickr.com/4200516_cc8097a3b2_o.jpg" align="right" border="0" hspace="10" /&gt;Não consigo deixar de me pronunciar sobre este filme. O filme como filme é fantástico, muito bem feito, muito bem pensado. Eu geralmente não gosto das “traduções” dos títulos dos filmes para o português, mas dessa vez eles escolheram um título que descreve melhor a essência do filme: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encontros e Desencontros&lt;/span&gt;. Afinal, não é um filme sobre tradução, mas um filme sobre uma amizade, ou um amor platônico ou apenas duas pessoas que estão sofrendo uma crise de existência. A beleza do filme está exatamente nessa indefinição.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O filme usou o Japão como pano de fundo. Acho que a diretora não poderia ter feito escolha melhor para criar a atmosfera necessária para contar a história. Os dois estão perdidos nas suas vidas e ainda por cima perdidos no Japão. Não é apenas um pano de fundo, mas uma analogia. Esse sem dúvidas é um filme que vai virar um clássico. Nunca as pessoas vão deixar de assiti-lo e de falar dele.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acontece que algumas pessoas viram racismo no filme, como se ele tivesse sido feito para debochar ou menosprezar os japoneses. Uma associação de descendentes de asiáticos americanos chegou a criar &lt;a href="http://www.lost-in-racism.org/"&gt;este site&lt;/a&gt;, pedindo para que os membros da academia não votassem no filme para o Oscar. É possível que os americanos descentes de asiáticos sofram discriminação nos Estados Unidos, da mesma forma que sofrem no Brasil. É possível também que o filme possa ser usado por algumas pessoas ignorantes para debochar dos asiáticos. Mas o filme em si &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não é racista&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;, não caricaturiza os japoneses e não é exagerado nesse ponto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem escreveu o roteiro deste filme sem dúvidas conhece muito bem o Japão. São cenas que eu vejo aqui todo dia. No hotel onde eu trabalho é muito freqüente ver grupos de 4, 5 japoneses esperando a chegada de um hóspede (estrangeiro ou japonês). O comportamento deles é muito semelhante ao que aparece no início do filme. A reação dos hóspedes americanos que são recebidos desse jeito, também, é igual ao que é mostrado no filme. Aquela cara de "o que você tá falando?", "eu recém cheguei, me deixa eu descançar primeiro".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cena no hospital também é típica. A verdade é que dificilmente turistas estrangeiros iriam sozinhos no hospital aqui. Quem vai sozinho, geralmente é residente e fomo como tal que eles foram tratados. A velhinha no lado do Bill Murray perguntando há quanto tempo ele mora no Japão (quem não entende japonês não vai saber o que ela estava dizendo, porque no filme não tem legenda), também é muito típico. Me perguntam isso várias vezes por dia lá no hotel.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os japoneses do filme são engraçados para quem está assistindo em casa, no conforto do seu lar. Na verdade, é muito estressante estar num país onde a gente não entende nada. Não bastesse a língua e a escrita serem completamente diferentes, o jeito de agir das pessoas, ou seja a cultura também. Só quem já sofreu um choque cultural desses entende que não tem graça. E esse foi mais um elemento que a brilhante diretora soube usar muito bem. Ele não só não entendia a velhinha no hospital, mas ele também não entendia o que a própria esposa dele falava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os japoneses que aparecem no bar que eles vão.  Ficou bem claro que eles eram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;surfistas&lt;/span&gt; (sem dúvidas, surfistas japoneses).  Nem todos os japoneses são como eles e a maioria dos japoneses não freqüenta bares de estilo ocidental.  Os que freqüentam, no entanto, são muito semelhantes ao que aparecem no filme.  Apresentam-se pelo primeiro nome, muitos falam inglês e/ou moraram no exterior.  Há também aqueles que vão nesses lugares exatamente para fazer um intercâmbio com os estrangeiros ou praticar a língua que estão estudando, como o gordo que ficava falando francês.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Posso citar as cenas do filme uma por uma e contar uma experiência semelhante pela qual eu passei,  mas basta dizer que no filme não há exageros nem deboches, com excessão de duas situações que eu achei improváveis:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ol&gt;   &lt;li&gt;Um japonês mandar uma prostituta de presente.  Não sei se há esse costume aqui e nunca vim ao Japão à trabalho como o personagem do filme.  A prostituta em si, essa sim, extremamente verossímil.&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Japoneses, por mais loucos que fossem, convidar uma moça para ir numa boate de strip-tease e um estrangeiro que não sabe falar japonês, não só achar a boate, como entrar lá sozinho.  Improbabilíssimo (pelo menos em Quioto).  Dizem que Tóquio é muito diferente, portanto não sei se isso seria possível lá.&lt;br /&gt;  &lt;/li&gt; &lt;/ol&gt; &lt;p&gt;Bom, era isso.  Só queria deixar o meu testemunho de que este filme não é racista.  O racismo está nos olhos de quem vê.  Além disso, o filme não é sobre o Japão!!! Pior são filmes sobre o Japão, como O Último Samurai, onde o Tom Cruise aparece subindo uma escada de jinja para chegar no Palácio Imperial (que fica num lugar totalmente plano) , a vila dos samurais e as batalhas acontecem num campo aberto do tipo que não existe em lugar nenhum do Japão.  Eles fazem à cavalo o percurso de Yokohama a Tóquio em 5 min.  Hoje em dia, de trem, precisa meia hora.  Tom Cruise lutando com menininho japonês embaixo de uma chuva tropical!  Ridículo.  E para terminar, a últimas palavra do samurai antes de morrer é em inglês!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não nego que existe uma lista interminável de filmes americanos que são racistas e debocham não só dos japoneses, como também dos franceses e de outras culturas, mas não é esse o caso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lost in Translation&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110743752785068494?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.lost-in-racism.org/' title='Lost in Translation e racismo'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110743752785068494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110743752785068494' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110743752785068494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110743752785068494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/02/lost-in-translation-e-racismo.html' title='Lost in Translation e racismo'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110736496680057853</id><published>2005-02-03T02:22:00.000+09:00</published><updated>2005-02-03T08:26:00.523+09:00</updated><title type='text'>Neve</title><content type='html'>&lt;p&gt;Quando saí de casa hoje de manhã estava tudo branquinho. Nunca vi tanta neve nesta cidade. E não era uma neve molhada como sempre. Desta vez era uma neve seca, fininha, mais parecia areia. Tinha gente &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;varrendo&lt;/span&gt; a neve da frente de casa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Coitado do sujeito que vai ter que sair nessa moto!&lt;/p&gt;&lt;a href="http://photos1.flickr.com/4156418_49b7319ca6_o.jpg"&gt;&lt;img src="http://photos1.flickr.com/4156418_49b7319ca6.jpg" alt="Moto" height="300" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110736496680057853?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110736496680057853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110736496680057853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110736496680057853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110736496680057853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/02/neve.html' title='Neve'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110728464347340862</id><published>2005-02-02T03:30:00.000+09:00</published><updated>2005-02-03T08:29:09.053+09:00</updated><title type='text'>Panelinhas de japas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos últimos dias, me envolvi numa discussão no Orkut sobre discriminação de japonês. Em São Paulo tem muita panelinha de nikkeis, o que dá um pouco de razão para as pessoas falarem sobre isso. Quem tem razão nessa história (se os nikkeis que forma panelinha ou os que reclamam) é uma outra questão. Por um lado as panelinhas são um fato, mas será que o que provoca a sua formação é alguma crença na superioridade da raça japonesa por partes dos nikkeis? Podem existir inúmeras outras razões para a formação desses grupos. Além disso, diferentes grupos podem se formar por motivos diferentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O nikkeis de São Paulo têm em comum, além da raça, uma afinidade cultural herdada dos seus antepassados. Muitos são estudiosos, comem coisas esquisitas (comida japonesa), falam algumas palavras em japonês, têm gostos afins etc. Mais do que isso, em São Paulo existe uma comunidade japonesa organizada, a chamada "colônia", onde todo mundo se conhece e é natural que amizades nasçam com mais freqüência dentro desse ambiente do que fora dele. É como os membros de um clube, como o Lions ou o Rotary, por exemplo. As pessoas se reunem, fazem eventos. Têm muitas oportunidades para interagir e andar juntos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguém poderá dizer que a colônia foi gerada pelo racismo e é a geradora do racismo até hoje. Eu não concordo que a colônia foi gerada pelo racismo. Pelo menos não do racismo do japonês contra o brasileiro. Antes, resultou da falta de oportunidades para os japoneses e descendentes na sociedade brasileira. Eles não tiveram outra opção senão associar-se e ajudar uns aos outros. Ou seja, foi uma reação defensiva e não uma ação ofensiva.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso das panelinhas, essa lógica também pode ser aplicada. Elas podem estar sendo formadas, não pelo racismo e prepotência dos seus membros, mas pela falta de aceitação dessas pessoas no resto da sociedade. Muitos nikkeis sofrem com o preconceito, com gente que eles nem conhecem mandando eles abrirem o olho, dizendo que têm o pinto pequeno, perguntando se luta caratê, etc, etc. Dentro das panelinhas, eles não estão expostos a isso. Deve se sentir bem mais à vontade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não acho que é bom que eles formem panelinhas, mas acho importante entender por que é que elas existem. Não estou dizendo que não existe japa racista. Quero apenas mostrar que podem-se deduzir outras teorias sobre esse fenômeno, as quais podem acabar explicando a maioria dos casos. O racismo muitas vezes está só nos olhos e na cabeça de quem vê, mas na realidade ele não existe.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110728464347340862?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110728464347340862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110728464347340862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110728464347340862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110728464347340862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/02/panelinhas-de-japas.html' title='Panelinhas de japas'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110576223867584974</id><published>2005-01-15T13:32:00.000+09:00</published><updated>2005-02-03T08:06:43.426+09:00</updated><title type='text'>Sono</title><content type='html'>Eu sou do tipo que troca o dia pela noite. Se eu não tiver compromissos durante o dia, vou cada dia indo dormir mais tarde e acordando mais tarnde ainda. Até inverter completamente. Eu tento lutar contra isso, mas com o meu trabalho noturno de mensageiro de hotel, fica mais difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até setembro, eu estava me esforçando ao máximo para me manter acordado nos dias posteriores aos dias que eu trabalho. É um desperdício dormir durante o dia! Além disso, o único jeito de evitar que o ritmo se inverta completamente é agüentar acordado durante um dia inteiro e ir dormir só de noite. Mas eu percebi que eu estava ficando estressado com isso. Eu estava sempre cansado! Por isso, resolvi, sempre que tiver sono, ir para casa e dormir. Aconteceu que por conta disso, eu acabei faltando muitas vezes o seminário (que é o meu único compromisso na universidade), para ficar em casa dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, se eu tiver que trabalhar no mesmo dia que tem seminário, se eu tiver com muito sono, acabo tendo que escolher entre um e o outro. Escolhi muitas vezes o trabalho. Pelo menos esse me traz alguma vantagem: dinheiro! Mas ontem, resolvi que de qualquer jeito, eu ia no seminário. Não dá mais para ficar faltando. Já não estava mais me sentindo um estudante! O problema é que esta semana, eu estava trabalhando à noite um dia sim, um dia não. Assim não há ritmo que se mantenha. Acabei dormindo de dia anteontem. Por conseguinte, acordei de tardezinha e não consegui dormir até ontem de manhã. Ontem de manhã, eu tinha duas escolhas: agüentar acordado e ir no seminário, ou desistir e dormir o que eu precisava. Escolhi ir no seminário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o seminário começou, à 1h da tarde, eu já estava vesgo de sono. Estou meio gripado, ainda por cima. Assisti o primeiro seminário e não agüentei mais. Fui para a minha sala na universidade para ver se eu conseguia dormir um pouco. Era muito sono. Mas eu não podia voltar para casa para dormir, pois corria o risco de não conseguir acordar para ir trabalhar de noite. Por isso, deitei a cabeça na escrivaninha e tentei dormir.... mas não consgui!!! Fiquei ali reinstalando o windows no meu computador para que os meus colegas do laboratório também pudessem utilizá-lo (antes tinha o linux) - eu estava promentendo isso pra eles já havia duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora de eu ir para o trabalho: 5h30min. Eu estava passando mal! Muito sono. Mas tinha que ir. Chegando no hotel, tomei um banho. Geralmente alivia o sono. Mas parece que não fez muito efeito. Meia hora trabalhando e eu vi que não ia conseguir agüentar até a 1h da manhã. Não estava conseguindo nem falar direito. Errei o número do quarto de uma hóspede; fiz ela dar praticamente uma volta inteira no hotel para chegar até o quarto. Não estava conseguindo explicar o que eu precisava. Não consegui terminar as frases. Começava a falar uma coisa e esquecia do que estava falando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar as coisas, apareceu na recepção uma hóspede italiana que não sabia falar inglês. Me chamaram. Eu entendia tudo o que ela falava, mas não eu não conseguia falar. Para falar japonês eu não estava tendo tanto problema, porque não precisa pensar tanto. Mas italiano, eu não sei falar. Tenho que pensar muito para conseguir falar alguma coisa. Me senti um excepcional, mudo. Mas mesmo assim, consegui resolver o problema dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 8h, eu falei pro Ozawa-kun, o responsável naquel horário, que eu não estava bem. Ele perguntou: é gripe? E eu disse: Não, é sono! Eu até posso agüentar até à 1h, mas não estou em boas condições para trabalhar. Ele não gostou. Disse para eu agüentar mais 1 hora. Mas eu acho que o objetivo dele era fazer eu agüentar até o fim. Eu acho que eu tinha condições físicas de agüentar, mas eu mesmo não estava satisfeito com a qualidade do meu trabalho. Quando deu 9h, eu disse pra ele: eu vou embora. Não importa o que tu diga. Pode dizer para todo mundo que eu fui embora sem falar nada. Ele não tinha escolha, teve que me deixar ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que fiz uma coisa muito errada tendo vindo embora. Pelo menos dentro da cultura japonesa. Eu sou culpado de ter causado meiwaku para os meus colegas. Acontece que para eu poder vir embora, alguém teve que fazer hora extra, ou no mínimo, trabalhar mais do que teria caso eu estivesse lá para ajudar. Por outro lado, ficar seria meiwaku para os hóspedes, que estão pagando por um atendimento de qualidade e estão sendo atendidos por um funcionário esquisito que esquece o que está falando antes de terminar a frase. Verdade! Os hóspedes já estavam me olhando com uma cara de quem está na frente de um louco de hospício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz o que minha consciência mandou. Sacrifiquei os colegas para salvar o hotel. Claro que, em parte, eu também estava querendo fugir daquele sofrimento. Mas, no Japão, essa é uma atitude considerada errada. Se fosse um japonês no meu lugar, ele teria agüentado e feito um esforço maior para não errar. Erraria, mesmo assim, com certeza. Mas essa seria a atitude correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, fazer o que? Agora já passou. No mês que vem, não vou mais trabalhar na sexta-feira. Não tenho condições. É sempre difícil de trabalhar nas sextas-feiras. Eu estou sempre cansado, porque o seminário é muito cansativo. Mas não posso correr o risco de repetir o que eu fiz ontem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110576223867584974?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110576223867584974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110576223867584974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110576223867584974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110576223867584974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/01/sono.html' title='Sono'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10165160.post-110575936783626187</id><published>2005-01-15T13:14:00.000+09:00</published><updated>2005-02-03T08:30:28.163+09:00</updated><title type='text'>Introdução</title><content type='html'>Eu criei um &lt;a href="http://adbosco.blogspot.com/"&gt;outro blog&lt;/a&gt; sobre o Japão e os japoneses para escrever sobre o que eu penso sobre esses temas. Outro dia, folhando (é assim que se diz browsing, em português) outros blogs, me deparei com &lt;a href="http://voti.blogspot.com/"&gt;um escrito por um cara que morava no Japão&lt;/a&gt;. Tinha só um artigo. E ele escreveu coisas triviais que aconteceram com ele num determinado dia. Percebi como, para quem nunca morou aqui, pode ser interessante saber como é o nosso dia-a-dia, que tipos de estresse a gente passa, como é o clima aqui, como são as nossas relações com os japoneses, etc. Por isso resolvi criar este blog, mesmo formal e, talvez mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, estarei atualizando este blog com mais freqüência do que o outro, pelo simples fato de que não é necessário pensar muito para contar histórias.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10165160-110575936783626187?l=adbosco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adbosco.blogspot.com/feeds/110575936783626187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10165160&amp;postID=110575936783626187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110575936783626187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10165160/posts/default/110575936783626187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adbosco.blogspot.com/2005/01/introduo.html' title='Introdução'/><author><name>Adriano Dal Bosco</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://photos11.flickr.com/13040330_9dfbf723f9_m.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
